Vigília pelo Clima e a Emergência Climática: quais são as consequências e porque é que é importante?

Vigília pelo Clima e a Emergência Climática: quais são as consequências e porque é que é importante?

Devido aos movimentos ativistas que têm vindo a surgir nos últimos tempos, tais como a Greve Climática Estudantil e o Extinction Rebellion, o Reino Unido declarou Emergência Climática. Mas o que é que isto quer dizer ao certo? Quais são as consequências e porque é que este é um passo tão importante?

É verdade que não sabemos ao certo o que é que este termo quer dizer, porque nunca foi declarada uma emergência climática, mas sabemos que precisamos de mudar radicalmente, caso queiramos preservar o nosso planeta e continuar a viver nele. Sabemos que para atingir as metas do IPCC precisamos de cortar em 50% as emissões até 2030. No entanto, estas continuam a aumentar de ano para ano. Temos apenas 11 anos para evitar uma catástrofe climática irreversível, e estas já se fazem sentir por todo o mundo: as alterações climáticas já causam mortes, destroem ecossistemas vitais e existem cada vez mais refugiados do clima. A subida do aquecimento global, os gases com efeitos de estufa e a acidificação dos oceanos já estão a níveis alarmantes. Um crescimento do aquecimento global sem precedentes está a derreter os glaciares, a subir o nível médio de água dos mares e a diminuir os recursos de comida e água de milhões de pessoas por todo o mundo.

“Se nada for feito, se os governos, as grandes empresas e os especuladores financeiros continuarem a negligenciar o nosso futuro e o do nosso planeta como tem sido feito até agora, o cenário irá piorar drasticamente.” – Greve Climática Estudantil

O movimento da Greve Climática Estudantil considera que “Até hoje, a ação de combate às alterações climáticas tem sido demasiado lenta porque a economia se tem sobreposto à física, e por isso, a única resposta racional que nos deixam é a declaração de um estado de Emergência Climática, que se deve traduzir em medidas concretas e eficazes. Já passou o tempo em que podíamos limitar-nos a observar silenciosamente, enquanto a nossa casa começava a pegar fogo, à espera que alguém resolvesse este problema por nós. Somos a última geração, e por isso exigimos que se trate a crise climática com a urgência necessária.”

Assim, a Greve Climática Estudantil está a organizar uma vigília às sextas feiras, à frente da Assembleia da República, a exigir que o Governo Português declare Emergência climática. Pretendem demonstrar mais uma vez a determinação e a preocupação dos jovens, bem como a da restante população. 

Com esta e próximas vigílias exigem que o governo português:

  •  Declare emergência Climática;
  • Se comprometa a providenciar a máxima proteção para todas as pessoas, espécies e ecossistemas;
  • Mobilize os recursos necessários e inicie uma ação efetiva à escala e rapidez necessárias;
  • Atinja a neutralidade carbónica em 2030;
  • Encoraje os governos por todo o mundo para que estes adotem as mesmas iniciativas, tendo em conta a responsabilidade histórica de cada.

 Aliadas a estas medidas estão as outras reivindicações, que constam no manifesto da greve climática estudantil. Salientamo que estas medidas são tão importantes como as referidas anteriormente, pois palavras e declarações têm de se traduzir em medidas concretas. Assim sendo, exigem ainda:

  • A proibição da exploração dos combustíveis fósseis em Portugal, incluindo o “gás natural”, implicando o fim das concessões da Batalha e do Pombal;
  • Que a meta para a neutralidade carbónica seja reduzida para 2030, e não 2050, como previsto pelo governo;
  • A expansão significativa das energias renováveis e, particularmente, da energia solar;
  • Que a produção elétrica seja 100% assegurada por energias renováveis até 2030;  
  • O encerramento das duas centrais elétricas ainda movidas a carvão (central de Sines e central do Pego);
  • O melhoramento eficiente e drástico do sistema de transportes públicos, de maneira a que estes possam substituir o uso do transporte particular;
  • A requalificação profissional de trabalhadores de setores poluentes e agravantes das alterações climáticas;
  • Impedir a construção do gasoduto que faria a ligação da Guarda a Zamora.

Acima de tudo, querem que os representantes do nosso país reconheçam que estamos perante uma situação de emergência.
Salientamos a oportunidade e a importância de votar em propostas para o clima na eleições europeias (dia 26 de Maio) dois dias depois da próxima greve climática estudantil (24 de Maio).

 

Leave a Reply

Your email address will not be published.