Eu já votei nestas europeias. E tu, votas?

Eu já votei nestas europeias. E tu, votas?

Já se vota nestas eleições europeias. Entre ontem e amanhã está aberto o período para o voto antecipado, por correspondência, a partir de pontos em todo o planeta, dos cidadãos registados para votar nas listas portuguesas de candidatos ao Parlamento Europeu.

É o meu caso. Estando em Genebra por funções que não são chamadas a este artigo, exerci hoje o meu direito de voto no Consulado Geral de Portugal. É muito simples: basta chegar com o cartão do cidadão… e alguma paciência, sim. Se tiverem um documento que justifica a vossa estada fora no dia da eleição (matrícula em universidade estrangeira, carta da empresa a certificar que estão a trabalhar fora temporariamente, ou documentos equivalentes), melhor, embora a Comissão Nacional de Eleições me tenha dito que não é necessário.

Já votei. Apelo a que todos o façam também. Estas serão eleições de enorme importância na nossa vida, talvez mais importantes do que as eleições legislativas de Outubro. Não, não é exagero, é frieza na análise. Basta pensar nos acontecimentos dos últimos dias. A biodiversidade nunca esteve tão ameaçada – é Portugal que o resolve? As nossas ferramentas de comunicação são atacadas e a nossa privacidade posta em risco – é Portugal que o resolve? Estados Unidos e China travam uma guerra comercial, Estados Unidos e Irão ameaçam travar uma guerra militar – é Portugal que o resolve?

A resposta é a União Europeia. É a melhor ferramenta que temos. E, tal como todas as ferramentas, o resultado da sua aplicação depende do como a usamos. Assim como usar um martelo para dividir duas tábuas de madeira não vai resultar muito bem, continuar a desprezar o que se decide em Bruxelas e “deixar andar” também não garante um futuro muito promissor. É preciso cidadania europeia ativa.

Foi por isto que eu votei. Votei para que a União Europeia reforce o seu funcionamento, assegurando que se mantém um clube de democracias livres, respeitadoras do Estado de Direito e das liberdades individuais e coletivas de que usufruímos – por exemplo, ligando a atribuição de fundos a critérios de democraticidade (se até já multamos quem se endivida, não multamos quem oprime minorias ou arrasa com a imprensa?). Votei para que a União Europeia, maior bloco comercial do mundo, se recuse a aceitar importações de bens e serviços assentes na destruição do ambiente, no trabalho infantil ou na precariedade, incorporando essas regras nos tratados que celebra. Votei para que a União Europeia nos proteja da tirania das plataformas digitais, limitando o seu poder de nos dar apenas o que lhes garante cliques e fazendo-as pagar os impostos devidos, que hoje não pagam. Votei para que a União Europeia seja um agente promotor do desenvolvimento sustentável dentro e fora de portas – não basta ter os melhores índices à custa da exportação da nossa poluição para a Ásia, não serve fugir à União Energética que permitirá tornar a Europa verde e independente de pressões externas. Votei para que a União não fique refém dos Estados Unidos para a sua defesa, num mundo de crescentes tensões militares. Votei para que a União Europeia não permita que a era da automação chegue para acentuar desigualdades, assegurando que a inteligência artificial está ao serviço da humanidade e não a servir-se dela.

Votei pelo meu futuro. Eu sei, eu sei… os candidatos não falam sobre Europa e são muito parecidos na sua capacidade de dizer poucochinho. O ambiente de campanha, entre sardinhas e bandeiras, também não ajuda. Mas há reais diferenças entre os partidos que podemos escolher para representar Portugal. A visão que têm não interessa muito – pode até ser totalmente diferente da minha visão. Interessa é que tenham uma visão e lutem para que ela se concretize. A apatia nunca resolveu qualquer problema. Às urnas!

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