Perceber a UE? É pôr mãos à obra no próximo MEU

Perceber a UE? É pôr mãos à obra no próximo MEU

A União Europeia é conhecida por ser difícil de perceber. Quem manda? Quem decide? Quem aprova leis? Tudo isto é complexo e não se explica propriamente depressa. Será que, experimentando o papel de decisor, se torna mais fácil? Nada como participar numa simulação do funcionamento da União Europeia para perceber. O ID-Europa foi saber como correu o MEU Porto 2019, organizado pela BETA Portugal (Bringing Europeans Together Association).

O que é o MEU? Qual o objetivo?

O Model European Union (MEU) Porto 2019 tinha como objetivo trazer a União Europeia para junto dos jovens portuenses.”, diz-nos a Catarina Neves, presidente da BETA Portugal. E que jovens são esses? “Conseguimos juntar 54 participantes de todo o país, com uma idade média de 20,5 anos; e onde 27 deles tinham já experiência em MEUs. A maior parte deles eram estudantes de Relações Internacionais e Direito, mas tivemos estudantes das mais variadas áreas e do Ensino Secundário também.”

 

Uma das participantes, Isabela Botelho, de 21 anos, explicou-nos que o que a levou a participar foi “o sentimento europeísta, mesmo não sendo uma cidadã europeia propriamente dita [é brasileira e estuda em Portugal]. O nível de integração da União e a diversidade sempre me levaram a querer participar de iniciativas destas e querem saber mais sobre o assunto.”. E esta foi já a segunda simulação em que participou.

 

O que se ganha com a participação numa simulação destas? O que é que lá acontece? A Catarina explica: “A característica mais importante é o quão realista é o setting da nossa simulação. Ao analisarmos textos legislativos (diretivas e regulamentos) reais, em que os nossos participantes têm de encarnar a posição de um partido/país/político real, ou tomar uma posição mais ou menos neutra como jornalistas (e/ou lobbyists, que não estiveram representados na nossa simulação), os nossos participantes são como que “obrigados” a pesquisarem um pouco mais sobre a UE e o seu processo de decisão. Ao início, tudo lhes parece bastante confuso, mas após uma manhã ou uma tarde de debates, já lhes é tão natural que nem querem/conseguem parar! O discurso passa a ser fluído e as perguntas passam de técnicas a estratégicas: “Como posso fazer uma coligação?” ou “Posso fazer uma declaração aos jornalistas?” são usadas frequente e estrategicamente. É uma consequência natural da experiência “learn-by-doing” que proporcionamos aos nossos participantes, e que tem dado bastantes frutos: todos os nossos participantes dizem que ficaram a compreender melhor o funcionamento das instituições — e nada nos deixa mais felizes do que vermos o nosso grande objetivo cumprido.”

 

Jovens desinteressados? Será mesmo assim?

Em tempo de eleições europeias, este parece-nos um evento a seguir com atenção e a replicar. Depois de ver que, em alguns estudos, apenas 3% dos jovens dizem ser extremamente provável votarem nas europeias, o que pode um evento destes representar para a estratégia de envolvimento dos jovens na política europeia? Perguntamos também isso à Catarina, que nos disse que, “com iniciativas como os Model European Union, os jovens conseguem perceber que afinal as decisões tomadas ao nível da União Europeia têm uma expressão muito maior no seu dia-a-dia, muito mais do que eles alguma vez imaginaram.”. E deixa uma mensagem de esperança: “[A]credito também que conseguimos semear nos nossos jovens participantes o “bichinho da política”: no final das simulações, temos sempre jovens que nos dizem que até se conseguiam ver a ter um papel destes no futuro — e, depois de ter já conseguido interagir com mais de 250 participantes, acredito que a política europeia saíria certamente beneficiada se algum destes jovens decidisse tomar a via política.”. Isabela concorda: “Muito útil tanto para mim quanto para os participantes que tiveram o primeiro contacto com essa temática. A meu ver, aprende-se muito mais na prática do que só com as aulas da faculdade.”

Para os que não puderam participar, uma mensagem de esperança. Esta não foi, certamente, a última iniciativa do género da BETA Portugal. “Por agora, o nosso grande objetivo é continuarmos com a nossa campanha pelo #DestaVezEuVoto; e a colaborar com diferentes núcleos e organizações com quem temos vindo a estabelecer parcerias, levando MiniMEUs a todo o país.”, disse-nos a Catarina. E o evento grande está para breve também: “Estamos também a começar os preparativos para o Model European Union Lisbon, a nossa simulação internacional — que, na última edição, juntou cerca de 100 jovens de 30 países diferentes.”. Segundo a Catarina, o objetivo maior da BETA Portugal é “levar as nossas simulações nacionais a uma capital de distrito diferente todos os anos, para que jovens de todo o país tenham a oportunidade de tomar parte neste tipo de iniciativas que os deixam certamente mais conhecedores de como funciona a União Europeia — e, quem sabe, os fazem sentir um pouco mais europeus.” E deixa o apelo: “Se a ideia de comprimir o espírito Erasmus numa semana vos agrada, basta estarem atentos à nossa página do Facebook para serem os primeiros a saber quando se irá realizar o(s) nosso(s) próximo(s) evento(s)!”

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