Afinal é possível ter jovens interessados: basta dar-lhes a palavra. O debate do Give a Vote Portugal

Afinal é possível ter jovens interessados: basta dar-lhes a palavra. O debate do Give a Vote Portugal

“Os jovens não votam, os jovens não se interessam, os jovens não participam.” Será mesmo assim? Ontem, em Vila Nova de Gaia, a prova de que, reunidas as condições, nada disso é mesmo verdade. Num auditório cheio de jovens, um debate entre os candidatos jovens às europeias por parte de 7 partidos:

  • João Bola, Aliança
  • Luís Monteiro, Bloco de Esquerda (em representação de Sérgio Aires)
  • Filipa Ferraz, CDS-PP
  • Laura Tarrafa, CDU
  • Jorge Ribeiro, PAN
  • João Duarte Albuquerque, PS
  • Lídia Pereira, PSD

 

Os temas grandes do debate foram a política externa, a organização institucional, o ambiente e a desinformação.

Sobre política externa, há uma clara tensão entre duas visões: a necessidade de pôr a UE a falar a uma só voz, com uma política externa comum que vincule os Estados europeus, e a necessidade de respeitar que cada Estado faça a sua política externa. Como bem apontou o João Albuquerque, sente-se um vazio geopolítico quando a União não é capaz de ter uma voz firme sobre as questões. Se dotar a UE de uma voz poderia ajudar a resolvê-lo, tanto o Luís como a Laura foram claros em recusar esse avanço, que veem como uma militarização do projeto europeu. Também a Filipa se opôs à perda de soberania que isso poderia constituir. Das outras partes, posições menos taxativas quanto a esta questão.

À pergunta sobre uma necessidade de mais ou menos Europa, respostas para todos os gostos. A maior parte dos presentes diz que é precisa mais Europa, mas não estando necessariamente a falar do mesmo. O único que deu um exemplo concreto foi o João Albuquerque, que falou em dotar o Parlamento de Direito de Iniciativa Legislativa. Também o Jorge, do PAN, afirmou ser necessária mais Europa. A Lídia foi pela tónica da consolidação do formato atual, e a Filipa acentuou os princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade. O Luís disse que em alguns aspetos faz falta mais Europa, noutros menos. A Laura, não respondendo de forma clara à pergunta, deu a entender que apoia menos europa e uma maior concentração da soberania ao nível dos Estados.

Na discussão sobre desinformação, muita confusão, misturando aqui a Diretiva de Direitos de Autor, imputando-lhe um objetivo – combate da desinformação – que nunca foi o seu. De forma muito clara, responderam apenas à pergunta o Luís e o João, reforçando a necessidade de os partidos se comprometerem a não usar métodos “sujos” nas suas campanhas. De forma geral, todos apoiaram medidas de literacia mediática, alguns nas escolas, outros na sociedade em geral, e salientaram também o papel que cada um de nós tem a cumprir nesta temática.

Por fim, o ambiente, mencionado apenas em resposta a perguntas da audiência sobre o tema. Nesta fase do debate já dois dos intervenientes tinham saído – João Bola e Lídia. O Jorge e o Luís foram os mais claros a listar a transição para uma economia circular como principal medida. Também o reforço da ferrovia e o desinvestimento em combustíveis fósseis foram medidas faladas por alguns dos intervenientes. De forma geral, todos o colocaram como prioritário na próxima legislatura.

Para um resumo mais completo, pode ser lido aqui no Twitter. Acompanhem também a campanha do Give a Vote Portugal, que andará pelo país a trocar ideias para a Europa.

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