A UE em 2030: quantos somos e onde vivemos?

A UE em 2030: quantos somos e onde vivemos?

Quando falamos no futuro da UE, um aspeto essencial a ter em conta é a sua população e a forma como se distribui. Se hoje somos 512 milhões de cidadãos espalhados por 28 países, vivendo sobretudo em cidades de média dimensão, o que nos reserva o mundo em 2030?

 

Envelhecidos

  • a esperança média de vida vai aumentar, na UE e no mundo. Na UE, as mulheres francesas serão líderes nesse parâmetro, com 88 anos; no mundo, serão as mulheres sul-coreanas, com 90. Causas? Melhor saúde e menos escassez material
  • a população mundial estará mais envelhecida, com 12% a ter mais de 65 anos (hoje, apenas 8%). A UE terá 25,5% da sua população acima de 65 anos.
  • a população mundial será maior. Mil milhões de pessoas mais significarão um total de 8,6 mil milhões de seres humanos em 2030
  • o maior crescimento da população mundial irá acontecer em países da África sub-sahariana e no sul da Ásia. Destaque também para o aumento de população em países vizinhos da UE, como é o caso do Egito.

A UE terá uma população ligeiramente inferior em número e bastante mais envelhecida. Como a população mundial irá aumentar significativamente, a proporção de população mundial que a UE representa irá cair. Estes dados são relativamente fiáveis: a demografia consegue previsões bastante robustas em horizontes temporais de 10 anos. No entanto, fenómenos totalmente imprevisíveis, como a alteração das taxas de fertilidade com o aumento da literacia e disponibilização de planeamento familiar, ou como as consequências das alterações climáticas, podem provocar alterações nestes cenários.

Que consequências podem adivinhar-se a partir destes dados? A quebra populacional que se espera na UE pode resultar em discursos populistas que se aproveitem do “declínio” e da “substituição” dos europeus por indivíduos de outras origens. As pessoas em idade ativa irão diminuir 2% até 2030, sem grande impacto no crescimento do PIB. O impacto fará sentir-se, sobretudo, nos gastos com saúde e segurança social. Para corrigir este efeito, será necessário aumentar a natalidade – corrigir desigualdades de género e garantir direitos laborais de proteção da parentalidade são estratégias vencedoras – e apostar no acolhimento de imigrantes – uma política bem aceite quando se tratam de indivíduos com perfil “cultural” semelhante ao europeu, mas que causa distúrbios quando alargada a populações mais “diferentes”.

Uma população menor mas mais educada pode ser uma vantagem, sobretudo na era da automação. Pelo contrário, a população muito jovem das regiões vizinhas da UE, sujeita a regimes repressivos e às consequências das alterações climáticas, pode significar tensões políticas enormes.

 

Citadinos

  • ⅔ da população mundial viverão em cidades, sobretudo cidades com até 1 milhão de habitantes, seguidas das cidades com entre 1 e 5 milhões.
  • o mundo terá 43 megacidades (+10 milhões de pessoas), e só uma na UE, Paris. 7% dos europeus viverão em cidades com mais de 5 milhões de habitantes.
  • as cidades irão contribuir com 60 a 80% do consumo de recursos energéticos do planeta, e serão responsáveis por 70% das emissões e do PIB mundial.

A mudança de foco para as cidades parece reforçar a qualidade das governações: 45% dos cidadãos europeus declaram-se confiantes nos seus governos autárquicos e regionais, contra 21% confiantes nos governos nacionais. É também nas cidades que normalmente se dá maior inovação e capacidade de reagir a fluxos migratórios. No entanto, cidades são também palcos privilegiados de desigualdades e de fenómenos securitários como o terrorismo e o crime.

Esta tendência urbana tem relação com o tópico anterior: normalmente a vida em cidade corresponde a menores taxas de fertilidade. Outro fenómeno tipicamente citadino é a poluição, que não depende tanto da aglomeração de mais ou menos pessoas, mas da forma como a sociedade está articulada para partilha de energia e prossecução de vidas mais sustentáveis, seja ao nível da mobilidade, da produção de resíduos, da alimentação, etc. Assim, a forma como as cidades se organizam ditará se a urbanização será um agravante ou atenuante das alterações climáticas.

Este artigo pertence a uma série de análises sobre o futuro da UE baseadas no relatório “Global Trends to 2030: Challenges and Choices for Europe”, do Sistema Europeu de Estratégia e Análise de Políticas, ESPAS.

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