Incêndios, seca extrema e cheias rápidas: a nossa herança de Portugal. – parte I de III

Incêndios, seca extrema e cheias rápidas: a nossa herança de Portugal. – parte I de III

Portugal Continental encontra-se numa região entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico, sendo o seu clima influenciado pela proximidade, por um lado, do Deserto do Saara em África e, pelo outro, pela Europa cental continental.

PORTUGAL: 2018-2071
Até se atingirem os valores dos cenários 2071-2100 (e 2080-2100), irá ocorrer um processo gradual mas com características graves: a redução da precipitação geral e o aumento acelerado de temperatura farão com que as condições físicas do país se vão degradando, inviabilizando partes relevantes do território.
Actualmente,costumamos ter seca e meia por década, mas previsivelmente este número subirá para três ou quatro.
Com menos água disponível, a agricultura será cada vez mais difícil e a desertificação cada vez mais acentuada. Por outro lado, as florestas tornar-se-ão crescentemente expostas às chamas dos incêncidios florestais, num fenómeno que já hoje é dramático. O abandono ainda mais acentuado do território rural interior em favor das cidades acrescentará pressão sobre os meios urbanos, mais expostos a fenómenos como ondas de calor e cheias rápidas e, no litoral, à subida do nível médio do mar.

Estes fenómenos, cujas frequência e intensidade aumentarão, vão provocar muito mais conflitos e tensões sociais.
Além disso, é necessãrio recordar que as aletrações climáticas afectarão outros países, colocando tensões nas cadeias de distribuição de alimentos à escala global, o que fará com que seja essencial aumentar a capacidade de produzir os próprios alimentos enquanto condições para tal se vão degradando.

Os cenários apresentados não contam com grandes disfunções climáticas como a interrupção e correntes oceânicas ou fenómenos de degelo acelerado, que romperiam o carácter gradual da alteração climática e introduziriam caos na equação.

Esta é a primeira parte de um conjunto de três artigos onde iremos explorar o impacto das alterações climáticas em Portugal e os cenários de 2071 a 2100 – primeiro Minho,Trás-os-Montes e Grande Porto.

MINHO: o aumento da temperatura será de 4º. Podemos esperar ondas de calor e cheias rápidas.
Apesar de a zona do Minho ser considerada uma das potencialmente menos afectadas pelas alterações climáticas devido à grande influência do Oceano Atlântico no clima regional, o aumento da temperatura esperado é muito elevado. Além das ondas de calor, as cheias rápidas serão uma ameaça.

TRÁS-OS-MONTES: o aumento da temperatura será de 4.3º. Podemos esperar ondas de calor e seca extrema.
A região de Trás-os-Montes sofrerá uma alteração profunda de regime climático, tornando-se muito mais quente e seca (o aumento de 4.3ªC e, média também reflecte uma temperatura média inicial mais baixa). No Verão este aumento de temperatura pode ser até mais 6ºC. Estas condições vão tornar esta região particularmente vulnerável à desertificação física e ao despovoamento.

GRANDE PORTO: o aumento da temperatura será de 3.9ºC. Podemos esperar ondas de calor e rios secos.
O Grande Porto, uma das zonas mas habitadas do país, será afectado por ondas de calor frequentes e fenómenos de seca extrema nas zonas mais rurais. Alguns dps rios mais importantes, afluentes do Douro, correrão o risco de seca pela redução da precipitação, pela extracção crescente de água e pela construção de mais barragens. O território será muito vulnerável a ondas de calor urbanas, um enorme risco de saúde para as populações humanas.

fonte: “Manual de Combate às Alterações Climáticas” de João Camargo.

Leave a Reply

Your email address will not be published.