5G: porque é tão importante para a Europa?

5G: porque é tão importante para a Europa?

O 5G não é só uma corrida europeia. É uma competição à escala mundial. Mas porque é tão importante? A quinta geração de rede móvel não vai só tornar mais rápida a internet do teu telemóvel: vai permitir tirar partido de tecnologias que precisam de transmitir informação de forma praticamente instantânea.

É o caso dos carros sem condutor, que prometem levar-te de Lisboa ao Porto sem que tenhas de pôr as mãos no volante. Uma hipótese que não tardará a ser realidade, de acordo com muitas marcas e especialistas.

O 5G vai também permitir que fiques em casa a ver um jogo de futebol em direto, ou um concerto que esteja a decorrer do outro lado do planeta, através de uns óculos de realidade aumentada. É o que te vai imergir num mundo virtual ao velho estilo da ficção científica, se quiseres.

Mas a rede móvel de quinta geração é mais do que isso. As fábricas vão poder operar máquinas de alta precisão à distância, ou às empresas funcionarem cada vez mais na cloud. E tudo isto tem tanto de bom quanto de arriscado.

O acelerar da transformação digital vai criar novas empresas e acabar com outras. Vai desencadear uma nova era na indústria mundial, ao mesmo tempo que pode acentuar a desigualdade entre territórios mais desenvolvidos e menos desenvolvidos, se a implementação da tecnologia não tiver em conta estas regiões mais desprovidas de recursos.

A Comissão Europeia — pela voz do comissário Günther Oettinger (na foto) –, tenciona que o 5G comece a chegar ao público já a partir de 2020, altura em que todos os Estados-membros da UE deverão estar a implementar, ou em vias de implementar, esta tecnologia. Se o bloco se atrasar, corre o risco de perder competitividade para outras regiões, como os EUA ou a China.

Sobre isto, pesa o facto de as principais empresas a darem cartas na tecnologia que possibilita o 5G serem norte-americanas ou chinesas. É o caso da Ericsson, que está a trabalhar em Portugal com a Vodafone, ou da controversa Huawei, que trabalha com a Altice, dona da MEO, e com a NOS.

Por terras lusitanas, o Governo tem vindo a preparar o lançamento do 5G, em conjunto com a Anacom, o regulador do setor. Mas nem tudo é pêra doce.

Portugal ainda tem de percorrer um longo caminho, que vai passar primeiro pela libertação das frequências do espetro eletromagnético, que atualmente estão ocupadas pela TDT (sim, vem aí uma nova onda de sintonização dos aparelhos).

Depois disto, as licenças deverão ser leiloadas às três principais operadoras, que, aos dias de hoje, têm realizado testes em frequências “emprestadas” pela Anacom. E é aqui que surge outra dificuldade: as empresas de telecomunicações não querem investir já no 5G, do ponto de vista operacional, porque tiveram de realizar investimentos avultados há poucos anos para implementarem o 4G. Em Portugal, a ideia é consensual entre as três maiores empresas: ainda é cedo e há muito para rentabilizar no 4G.

Mas a Anacom, o Governo e Bruxelas têm opiniões diferentes. E o certo é que os primeiros telemóveis com capacidade para comunicarem através das redes 5G já começaram a chegar ao mercado do grande consumo.

As próximas eleições europeias vão ser críticas na escolha dos responsáveis que terão este importante dossiê em mãos durante o próximo mandato.

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