A menos de dois meses, como vão as europeias?

A menos de dois meses, como vão as europeias?

Esta semana o temporizador virou a marca dos dois meses até às eleições europeias, que decorrerão a 26 de maio de 2019. Como está a correr a campanha?

Depende do objetivo de cada um. Uma coisa é certa: ela já começou. Desde fevereiro que tem havido mais ataques entre candidatos do que propostas claras para o futuro. Ainda assim, estão lançados todos os ingredientes para uma campanha frutífera até ao dia 26 de maio, basta cada um dar o seu contributo.

Já há programas eleitorais?

O primeiro programa completo a ser lançado foi o do Livre, ainda em janeiro, e de momento não há nada com uma dimensão e um detalhe semelhante por parte de mais ninguém – o Livre tira partido do facto de ser um programa acertado a nível europeu, naquele que se propõe a ser o primeiro projeto político transnacional na União Europeia a ir às urnas.

O Bloco de Esquerda lançou um manifesto difícil de ler mas bastante detalhado, que permite conhecer o pensamento do partido em diversas áreas, do Tratado Orçamental ao ambiente.

21 ideias num manifesto tem a Aliança, que na verdade são apenas 20, já que a 21ª é a muito sui generis ideia de cada deputado ficar responsável por garantir o cumprimento de uma das medidas propostas. Propõe-se também a usar os seus candidatos como “eurodeputados sombra” para escrutinar o trabalho futuro dos eurodeputados eleitos. O melhor é ler.

O PS tem também um manifesto, mas centra o seu discurso, nesta fase, no programa do Partido Socialista Europeu, no qual o manifesto se baseia, com o seu slogan “Novo Contrato Social para a Europa”, muito repetido por Pedro Marques.

Ainda o CDS, que lançou o seu manifesto recentemente. É uma evolução das 10 ideias para a Europa com que tinha dado o pontapé de partida a estas eleições em julho de 2018.

O PSD, até agora, não apresentou nenhum documento, e nem sequer aproveitou o programa do seu candidato a presidente da Comissão Europeia, Manfred Weber, que também não adianta muita coisa. Da sede nacional do partido, foi dito que não há ainda data para o lançamento de qualquer manifesto ou programa eleitoral.

O PCP também ainda não anunciou medidas, mas tem data marcada para a apresentação da sua Declaração Programática: 4 de abril. Deverá ficar disponível na página onde ainda se encontra o programa da última eleição.

A Iniciativa Liberal não tem ainda nada, para além do manifesto do partido europeu onde está integrada, o ALDE. Irá aprovar o programa no congresso deste fim de semana, segundo representante ligado ao partido.

Tentei contactar telefonicamente o PAN durante a manhã mas não obtive resposta. Do que se conclui pela visita ao site, não há programa.

 

Então o que tem acontecido na campanha?

Como vemos, há programas e ideias apresentadas por parte de praticamente todos (exceção será mesmo o PSD, o grande partido da oposição, mas isso deverá ser colmatado em breve). Infelizmente, nem sempre os debates e as entrevistas se centram nas propostas, mas basta querer para transformar a campanha num verdadeiro festival de ideias da União.

 

Até agora, a pré-campanha das europeias tem girado em torno de:

  • “impostos” europeus: o único grande tema europeu até agora. Trata-se de uma ideia que a maior parte dos partidos apoia: criar taxas de carácter nacional mas coordenadas entre todos os países da União, e que sejam dirigidas a transações financeiras, às empresas da economia digital, entre outras propostas. Permitirão, caso venham a ser implementadas, manter o Orçamento da União Europeia com um valor igual ou superior ao atual, algo dificultado pela saída do Reino Unido, um contribuinte líquido. O CDS e a IL já se disseram contra, apesar de o CDS dizer também que não quer uma redução do orçamento nem o aumento das contribuições dos cidadãos nacionais, resultando numa equação difícil de resolver.
  • fundos europeus: numa lógica de encarar a União Europeia como um investidor low-cost em Portugal, discutem-se imenso taxas de execução dos fundos e a negociação para o próximo quadro financeiro plurianual, mas sempre na ótica de garantir o máximo de dinheiro para portugal, e nunca de pensar o que fazer com o dinheiro ou como garantir melhor distribuição em termos europeus. O único item que se tem discutido, aliás, já foi alvo de verificação pelo Observador. Esta é uma discussão que importa ter mas que beneficiaria de um outro foco na utilização dos recursos, mais do que na sua quantidade.
  • ataques nacionais: o prato do dia tem sido usar os candidatos às europeias para ataques entre governo e oposição sobre matérias que são competência do governo nacional e que, portanto, têm pouco que ver com as eleições que se irão disputar a 26 de maio. Este é um hábito antigo, que estas eleições reeditam. E parte do tempo é gasto a acusar os restantes de gastarem o seu tempo a atacar-se, numa atitude que perpetua isso mesmo.

Aconselhamos uma leitura atenta dos programas e uma maior pressão da sociedade para que os candidatos se expliquem. Tens alguma pergunta que gostarias de fazer aos candidatos? Alguma dúvida que possamos esclarecer? Deixa nos comentários abaixo

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