O verdadeiro desafio da União Europeia

O verdadeiro desafio da União Europeia
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Apesar das crises recentes, o tema da Migração continua a ser um tema controverso no seio da União Europeia, que até à data ainda não conseguiu encontrar uma solução para o mesmo.

Atualmente, a União Europeia está perante um grande desafio para manter os valores e princípios que a tornaram única no mundo tendo em conta as políticas de alguns Estados Membros, que declaram publicamente a sua recusa em aceitar migrantes, criando e promulgando leis que dificultam muito a sua vida nesses países.

Bruxelas compreende que a UE está neste momento a enfrentar uma crise real e que a forma de lidar com ela será decisiva para a construção de uma UE mais forte e mais unida ou para uma divisão ainda maior entre todos os membros.

O Brexit é um claro aviso de que este assunto precisa de ser levado a sério. Quando se trata de migração, é percetível que o tema não foi debatido nem tratado de forma conjunta, pois cada país lida com esta problemática de uma forma diferente. Alguns membros da UE consideram que estes imigrantes têm direitos e podem ser uma mais valia, enquanto outros, nomeadamente os que enfrentam crises económicas, consideram os imigrantes como uma parte da causa para essa crise, sentindo-se ameaçados por eles.

Islamofobia, terrorismo e outros conceitos parecem ter sido descobertos recentemente. Nunca se verificou de forma tão acentuada a expressão de pensamentos racistas contra grupos específicos em público, e isto deve-se em parte aos resultados eleitorais significativos que os partidos de extrema direita começaram a alcançar e que de certa forma simbolizam uma nova era na UE.

Sim, a procura de uma vida melhor é um direito de todos os cidadãos da UE.

Todos têm o direito de procurar soluções para as crises económicas atuais. Todos têm o direito de proteger os seus países da ameaça do terrorismo, que infelizmente tem sido uma constante por todo o mundo. A única questão aqui é: “Será a migração a causa real para tudo o que foi descrito anteriormente?”

Os partidos de extrema direita desempenham um papel particularmente importante na mobilização das pessoas contra a migração. Termos como: “roubos”, “crime” e “terrorismo” tornaram-se palavras-chave dos seus discursos.

O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, afirmou que “todos os terroristas são imigrantes”. Contudo, se estudarmos esta afirmação, iremos perceber que a maior parte dos indivíduos que cometeram atos terroristas, especialmente na Europa, são imigrantes de segunda ou terceira geração. Ou seja, as migrações podem ter influenciado, de certa forma, esta tendência, porém é impossível afirmar que o terrorismo é um resultado direto das migrações.

De acordo com a “Global Terrorism Database (GTD)” o número de mortes relacionadas com o terrorismo teve uma redução de 65% em 2017, apesar da crise migratória na Europa. Estes dados confirmam que a migração não é a maior causa do terrorismo. Muito pelo contrário, a maior parte dos imigrantes e refugiados que entraram na Europa nos anos mais recentes, vindos de países como a Síria, o Iraque e o Afeganistão são eles próprios vítimas de terrorismo nos seus países de origem, o mesmo terrorismo que a Europa tenta combater.

Michael Clemens, um economista americano, afirmou que, se reduzirmos a imigração por razões culturais ou de segurança, iremos pagar um preço a nível económico.

Um dos estudos realizados na Europa Ocidental ao longo de 30 anos mostrou que os refugiados não são uma causa para as crises económicas. O estudo, que foi realizado entre 1985 e 2015, estuda um grande número de refugiados em diferentes países da Europa.

Também Hippolyte d’Albis, um economista da Universidade de Paris, clarifica que apesar de algumas pessoas afirmarem a sua vontade em acolher refugiados, ao mesmo tempo referem que não os podem suportar financeiramente. O Doutor d’Albis continua, dizendo que o estudo efetuado revela que, se os imigrantes não forem bem vindos, a economia do país pode ficar numa posição vulnerável. No mesmo estudo, verifica-se que em dois anos de fluxos migratórios, as taxas de desemprego diminuíram significativamente e a economia cresceu.

Poderemos continuar este debate por muito tempo, acerca da migração na Europa, as suas causas e as suas consequências, contudo, torna-se claro que a maioria das afirmações que são hostis para com os imigrantes se baseiam em crenças incorretas e não em factos. Não nos podemos esquecer de que dentro da própria UE existem fluxos migratórios entre todos os países membros.

A UE precisa de fazer mais para educar os cidadãos no que diz respeito a esta temática. Abrir espaço para os partidos de extrema direita difundirem os seus ideais para servirem os seus interesses políticos e eleitorais pode deixar a Europa numa posição de conflito entre os países.

Sendo assim, deve começar pelos meios de comunicação social, que por vezes desempenham papéis “estranhos”, passando uma mensagem e imagem negativas acerca dos migrantes. Todas as pessoas têm o direito de conhecer os factos, os números, os estudos e todas as outras possibilidades que possam demonstrar a verdade sobre as migrações.

 

[EN]

The topic of Migration remains controversial within the European Union and, despite all the crises that have passed, the EU has till this day failed to find a solution for this issue. The European Union faces a real challenge nowadays between its values and principles which have made it unique in this world, and struggles with the policies of some European countries, which have clearly declared their refusal of migrants as well as enacted laws that make life more difficult for them.

Brussels knows that the EU is facing a real crisis, a crisis that can make the union stronger and more united than before, but also one that can be the reason to divide it. Brexit is a clear warning to the EU to take this issue seriously. When it’s about migration we see clearly that this topic hasn’t been dealt with as a union. Each country deals with migration in a different way. Some members of the union consider these immigrants to be good for them, some countries that suffer from economic crises consider migrants to be one of its major causes.

Islamophobia, terrorism and other reasons seem to have appeared and been publicly stated for the first time in recent months. It was not common normal for people to express or share racist thoughts against specific groups of people in public until extreme right-wing parties began to achieve significant results in the elections as a sign of a new era of the Union.

Yes, it is the right of European citizens to have a better life. They have the right to seek solutions to their economic crises. They have the right to try to protect their countries from the threat of terrorism, which has been unfortunately knocking on our doors everywhere.

The question here is: Is migration really the cause of all of the above?

Right-wing parties play a very large role in mobilizing people to refuse migration. Terms such as smuggling, crime and terrorism have become keywords in all their speeches to European citizens about migration.

Hungarian Prime Minister Viktor Orban said that “all terrorists are immigrants”. If we check this claim we will see that most of the individuals who committed terrorist acts, especially in Europe, are second-generation or third-generation immigrants. Migration may have facilitated that, but it is impossible to say that terrorism was a direct result of migration.

According to the Global Terrorism Database (GTD), the number of deaths due to terrorism declined about 65% in 2017, despite the migration crisis in Europe. This confirms that migration is not a major cause of terrorism. On the contrary, most immigrants and refugees who have entered Europe in recent years from countries such as Syria, Iraq and Afghanistan are victims of terrorism itself, the same terrorism Europe is trying to fight.

Michael Clemens, an American economist, said that if you reduce immigration for cultural or security reasons, you will pay an economical price. One of the studies conducted in Western Europe for 30 years has shown that refugees in Europe do not cause economic crisis for the EU and its countries. This study, which covered the time between 1985 and 2015, speaks of a large number of refugees in different European countries.

Hippolyte d’Albis, an economist at the University of Paris, clarifies that some people say they want to welcome refugees, but they say as well that they cannot afford it. Dr d’Albis continues saying that the study found that if immigrants are not welcomed, the economy may be in a worse position. In two years of migratory flows, unemployment rates have fallen sharply and the economy has rebounded.

We may continue to debate for a long time about the issue of migration in Europe, its causes and its consequences, but it is clear that most of the claims which are hostile the migration and immigrants are based on incorrect grounds. We should not forget that the EU itself is living an internal migration between its countries.

The EU should do more to educate European citizens regarding these points. Leaving the field for right-wing parties to spread their claims to serve their elections programs will put the EU in confrontation with itself. People have the right to know the facts, the numbers, the studies and any other possible ways that may show people the truth about migration.

If the EU should start from some point, it should start from the media which played very strange role to spread a negative image about migration.

 

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