Precisamos de um novo Direito Humano para as gerações futuras.

Precisamos de um novo Direito Humano para as gerações futuras.

“Lutar contra as Alterações Climáticas é também a luta contra a pobreza, contra a fome, contra as desigualdades… é uma luta pelos Direitos Humanos e por uma vida digna.” – diz a Patricia Espinosa, Secretary Executiva da UNFCCC (United Nations Climate Change).

A ONU caracterizou o recente ciclone Idai como o “pior desastre climático de sempre a atingir o hemisfério Sul”.
O ciclone Idai atingiu a Beira, a quarta maior cidade de Moçambique, na quinta-feira à noite, provocando a morte a pelo menos 84 pessoas e deixando os cerca de 500 mil residentes comunicação e energia.
No Maláui, existem registos de pelo menos 56 mortos e 577 feridos, e as estimativas do Governo apontam para que tenham sido afetadas mais de 920 mil pessoas, incluindo 460 mil crianças.
No Zimbabué, aponta-se para cerca de 1.600 casas e oito mil pessoas afetadas no distrito de Chimanimani, em Manicaland, com registos de 82 mortes e 217 pessoas desaparecidas.

Esta é a face do caos climático: as zonas mais vulneráveis, as populações mais pobres, expostas a fenómenos climáticos totalmente inclementes.

Onde é que entramos nós, os Europeus?
Muitas vezes estes números pouco nos dizem. Não conseguimos imaginar 460 mil crianças, nem o que são 500 mil residentes… mas são pessoas que, tal como nós e os nossos familiares, os nossos amigos, a vizinha do 2º esquerdo, trabalham para construir uma vida melhor através dos meios e oportunidades que lhes são dadas. No entanto, por um fenómeno que nada poderiam ter feito para evitar, viram essas vida destruidas. No entanto, e ao contrário de nós, pouco contribuiram para o problema.

“This injustice –  that those who had done least to cause the problem were carrying the greatest burden – made clear that to advocate for the rights of the most vulnerable to food, safe water, health, education, and shelter would have no effect without our paying attention to our world’s changing climate.” – Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e UN Special Envoy on Climate Change.

Nós, europeus, somos priviligiados e, com isso, acresce uma responsabilidade.

Todos os mais de 2 MILHÕES de jovens que fizeram parte da Greve Climática Estudantil não estão errados: a Justiça Climática é uma luta pela Humanidade. As alterações climáticas são a maior ameaça global que a Humanidade alguma vez enfrentou e que transformará por completo a vida como a conhecemos se não se reverter urgentemente a ambição capitalista do crescimento infinito do lucro.

A Europa foi voz lider nesta mobilização por uma mudança urgente.
Foram mais de 20 mil pessoas em todo o país (Portugal), com especial enfoque em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Barcelos.

“Herdámos um planeta quase morto. Por isso, saímos à rua.
Assoberbados pela possibilidade de sofrermos a catástrofe climática à custa dos nossos líderes mundiais, faltamos à escola e paramos o planeta com uma mensagem muito clara: estamos em estado de emergência, entrem em pânico.” – Matilde Alvim, estudante da Escola Secundária de Palmela e uma das organizadoras da Greve Climática Estudantil.

Itália conseguiu agregar um milhão de pessoas nas ruas, em manifestações absolutamente massivas. E na Alemanha, por exemplo, mais de 300.000 pessoas sairam às ruas.

“O manifesto dos estudantes em Portugal pede taxativamente o fim das concessões de petróleo e gás e da lei que as permite, a expansão drástica da rede de transportes públicos, o encerramento das centrais a carvão do Pego (Tejo Energia) e de Sines (EDP), com a expansão da capacidade instalada de energia solar, exigindo que em 2030 a energia eléctrica provenha exclusivamente de fontes renováveis e que a neutralidade de carbono seja adiantada 20 anos em relação ao que propõe o actual governo, passando de 2050 para 2030. Este enorme desafio coloca uma nova fasquia não só a governantes e empresas, mas a todo o sistema económico hoje existente, abalando a ideia de que o business as usual pode simplesmente continuar no meio do colapso climático. E depende da continuação da mobilização a garantia de que estas exigências se materializem.” – João Camargo, Climaximo (podes ver mais sobre o debate que o ID Europa teve com o João sobre Alterações Climáticas, AQUI.)

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